Monara Marques
Facebook Twitter Instagram YouTube
Contato
SOBRE
Monara Marques
EIS O MELHOR E O PIOR DE MIM....

O meu termômetro, o meu quilate. Vem, cara, me retrate. Não é impossível. Eu não sou difícil de ler.

O infinito de Marisa Monte não é tão particular. Roubei, na cara dura, um trecho de sua genialidade pra explicar minha insignificância. É assim que eu me sinto com todo esse universo ao meu redor. Às vezes completa, às vezes só. Mas nunca parada. Com 18 anos, resolvi ser porta-bandeira do mundo. Girei, girei, até cair em Budapeste, uma cidade parecida comigo: completamente dividida. “Pluralista”, diriam os colegas das Relações Internacionais, meu primeiro curso universitário. Migrei pro Jornalismo antes que me alistassem a um guerra. Mal sabia eu que estava entrando em uma interminável batalha. Assim são os jogos de futebol, uma das minhas especialidades. Pra quem duvida, está tudo no meu currículo, que em nada combina com storytelling. Atuando na Publicidade, descobri que há um jeito bem mais legal de contar histórias. E é assim que pretendo compartilhar a minha.

Saiba mais

17.jun.2018
Compartilhe: Compartilhe Facebook Compartilhe Twitter Compartilhe Google Compartilhe Pinterest

Dizem que a vida é um intervalo chato entre duas Copas do Mundo. Só que esse tempo de espera parece ter durado muito mais do que quatro anos. Achei que longe fosse a Rússia, até conhecer a volta desse relógio.

1990, Copa da Itália. Com 5 anos de idade, são poucas as lembranças. Mas uma ficou. Meu pai, chegando no aeroporto, com uma bolinha, cheia de bandeiras. “Aperta, filha”. O dedinho, meio desconfiado, apontou, sem força, pra bandeira em destaque. Verde, branca e vermelha. “Pode apertar!”. Começa o hino da Itália. Depois, o do Brasil. Depois, o da Argentina. Depois, o da Romênia. Depois, o da União Soviética. E assim foi até acabar a bateria. Era minha primeira volta ao mundo.

1994, Copa dos Estados Unidos. Com 9 anos de idade, não vale perder nem par ou ímpar. Ganhar o bolão do prédio seria o ticket de entrada pra turma dos mais velhos. Brasil x Estados Unidos, na casa deles, no dia da independência americana. Pensei: “1 a 0?”. Peguei a caneta. “Não, é pouco”. Escrevi. Rasurei. “Não pode mudar. Rabiscou, já era!”, disse o dono do bolão. Passada de olho nos outros resultados. Só um 1 a 0. “Me odeio!”, pensei. Até que Romário tocou pra Bebeto, que chutou cruzado e, simultaneamente, dissemos, ele pra Romário, eu para Bebeto: “Eu te amo!”. Foi minha primeira volta por cima.

1998, Copa da França. Com 13 anos de idade, quem não era fã de Spice Girls? Uma delas, namorava um jogador de futebol. Era o principal jogador da Inglaterra. O jogo era de Copa do Mundo. Contra a Argentina? Triplica a torcida! “Pai, fala pro narrador dedicar um gol pra mim!”, pedi antes dele partir para seu sexto Mundial. TV sincronizada com o rádio, de onde saiu um: “Oiiiiii, oiiiii, oiiiiii”, gritava o narrador com dificuldades na pronúncia de Michael Owen. “Um gooool, que dá muuuuuita alegria, pra Monaaaaara”. PRA MIM? Sim, pra mim, o jogo estava ganho, mesmo com um empate no tempo regulamentar, mesmo com Beckham expulso, mesmo com a derrota da Inglaterra nos pênaltis. Foi minha primeira volta na frequência 730.

2002, Copa da Coreia e Japão. Com 17 anos, que menina quer saber de Copa? “Vai dormir, criatura!”. Tinha que dar um jeito. “Mãe, vou pra festa”. Corria pra casa das amigas pra... assistir jogo de madrugada! Noites e noites de “festa”. Mas nenhuma tão grande quanto o título mundial. Foi minha primeira volta nos pais.

2006, Copa da Alemanha. Com 21 anos, um churrasco com amigos caía bem. Ou não. No lugar da voz do narrador, um sertanejo qualquer. Me senti sozinha, como o Henry. Ninguém prestando atenção no jogo. Parecia até o Roberto Carlos, ajeitando a meia. Foi a primeira vez que percebi que certas coisas não têm volta.

2010, Copa da África. Com 25 anos, já era repórter. Nos campos apertados do Campeonato Goiano, uma grade separava torcida e imprensa. Lembro de passar 90 minutos seguidos conciliando a transmissão de um jogo de segunda divisão com uma buzina que tinha como endereço.... meus ouvidos. É por isso que até hoje eu odeio vuvuzelas. Foi a primeira vez que a volta do meu volume foi para baixo.

2014, Copa do Brasil. Com 29 anos, era quase uma balzaquiana. E dessa crise, ninguém escapa. “Vou pra Copa!”, pensei. “Como comentarista?”, me perguntavam. Sabia que não dava. “Largo tudo?”. “Seu sonho é ser comentarista ou ir pra Copa?”, perguntou minha mãe. Fui pra Copa, sem o uniforme da SporTV. Só com câmera, marido e mochila nas costas. Tem volta?  

O último intervalo foi mais do que chato. Foi quando levei meu 7 a 1. Certas derrotas são irreparáveis. Perdi minha mãe, seus conselhos e o gosto por futebol. Foi a primeira vez que a volta travou lá embaixo.

2018, Copa da Rússia. 15 mil km de distância não são nada perto do caminho que percorri. 54 dias não são nada perto dos 32 anos de espera. 32 seleções, essas sim, são mais do que suficientes pra eu dar uma nova volta ao mundo. Os 64 jogos me fazem voltar à frequência da 730. “Aumenta o som”. A volta agora está lá em cima. E vou comemorar como o Bebeto. “Eu te amo”. Olhando para o céu. Porque meu sonho, mãe, é ir pra Copa. E, hoje, 10 meses após sua partida, comento Alemanha x México.

Monara Marques

Comunicação e Marketing
Veja também: